1.3.09

Um pouco tarde


Era um pouco tarde para tudo. 
A neblina, do que sobrou da chuva, preenchia o 
vazio da avenida sem fim. 
À direita o ruído do mar; à esquerda sons de televisores 
ligados até àquela hora.
 Era um pouco tarde para tudo. 
Até para voltar era tarde.  
Os passos sem pressa, como a frustração 
do metrô perdido, por um passo. 
Tarde. 
Caminha em direção oposta ao sul, onde tudo ficou, 
perdido na neblina. 
Na avenida do sem fim. 
Era um pouco tarde, 
e um pequeno foco de luz, que rompe a cerração, 
e vence a solidão de uns passos sem pressa. 
Por trás da luz, um veículo sem pressa; 
tarde demais. 
O ônibus, com um passageiro 
a mais, único talvez, sumiram, 
por trás da luz vermelha, engolida pelo 
branco fosco da noite. 
O vazio ficou só, com o gosto do sal, 
que vinha do mar, em partículas suspensas no ar, 
branco e fosco. 
Mas não havia mais ninguém ali. 
Era um pouco tarde para tudo.
(Bina Jares)

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