27.3.09

René Char

(O preferido de Camus, em foto de Man Ray)

CONSOLAÇÃO

Nas ruas da cidade caminha o meu amor. 
Pouco importa aonde vai no tempo dividido. 
Já não é meu amor, todos podem falar-lhe. 
Ele já não se recorda. Quem de fato o amou?
Procura o seu igual no voto dos olhares. 
O espaço que percorre é a minha fidelidade.
 Ele desenha a esperança e ligeiro despede-a. 
Ele é preponderante sem tomar parte em nada.
Vivo no seu abismo como um feliz destroço. 
Sem que ele saiba, a minha solidão é o seu tesouro. 
No grande meridiano onde inscreve o seu 
curso é a minha liberdade que o escava. 
Nas ruas da cidade caminha o meu amor. 
Pouco importa onde vai no tempo dividido. 
Já não é  meu amor, todos podem falar-lhe. 
Ele já não se recorda. 
Quem de fato o amou e de longe 
o ilumina para que não caia?

26.3.09

Te acho


Eu sempre te acho. Não tem jeito, eu sempre te acho.Te acho porque não te procuro.Me faço em silêncio. Treino enxergar no escuro. Me faço de morto. Me ajeito, insône e inerte. E te acho. Mudas a forma, a marca, os saltos, os cabelos. Mudas de mundo. Mesmo assim te vejo e te acho. Eu sempre te acho.

Norma Jean Baker























23.