29.11.08

Toy art

Cadê você?


Por onde andas, inspiração?

Por onde andas que não passas de

uma página do Word em branco?


Vai, fala quantas moedas

queres por uma linha.

Te dou o que restou de mais

uma noite iluminada.


Ah, deves andar pelo inconsciente

escondida numa das páginas

de Pynchon.

Ou estaria nas do Wolffe.


Não, estás aqui.

Te peguei, preguiçosa.

Teimosa. Bêbada. Dopada.


Agora é tarde.

Te esperei muito.


O sono vem.


Amanhã te pego.

De jeito.


Na tua ressaca.

Um dia qualquer, em 1967

o tráfego diminuía. o cheiro do asfalto subia com o vapor provocado pela chuva, grossa e rápida; misturava-se ao perfume que usara logo após o banho. da igreja de Nazaré ouvia- se sete badaladas. sete da noite. caminho lento, em direção a subida da quintino, em direção ao cinema. se existisse i-pod certamente a trilha seria ramones - out of time. o resto dos moleques seguia atrás. cigarro aceso, escondido na mão em concha. o incrível exército de brancaleone. o clipper de nazaré, a primeira parada. uma vitamina de abacate, um caldo de cana, uma cachaça. pedidos de moleques. mas o que faz uma cachaça no meio? bem, o meu era a vitamina de abacate. energias armazenadas, pé na estrada, pé na independência, na avenida independência. todos os brancaleones, agora, de passos mais apressados. a sessão começaria sete e meia. as carteiras do colégio devidamente falsificadas. as mangueiras ainda deixavam cair sobre nós os vestígios da chuva, grossa e rápida. apenas gotas. não muitas. talvez não mais que os 10 ou 12 anos de cada um de nós. quinze na carteira do colégio. segunda parada: o quebra-queixo da porta do cine independência. de fora dava pra sentir o ar-condicionado com cheiro de pipoca. cheiro de cinema. depois da terceira parada era ingresso numa mão, carteira do colégio na outra. O porteiro passa um olhar opaco sobre cada uma delas. "ele não sabe ler!", cochicha um dos da "armata". a gente ri. a gente sempre está rindo. ainda dá tempo de mais um continental sem filtro no banheiro. as bichas fingem que mijam. apagam-se as luzes. aquele friozinho na barriga. apagam-se as luzes. atualidades atlântida mostrava os gols da copa de 66. vibramos, o cinema, todos por cada gol do brasil. mas nossos “artistas” perderam o lugar pra inglaterra. a campeã. nem gilmar, nem rildo, nem djalma santos, nem pelé. os reis da bola eram gordon banks, bobby moore, bob charlton. pelo menos o quebra-queixo ia durar o filme inteiro. silêncio total. ia começar o incrível exército de brancaleone. desde então, gassman e eu fomos bons amigos.

28.11.08

Trilha da insônia

Moptop
Como se comportar


adeus
Gabriel Marques

Preciso te encontrar
Eu tentei dizer
Ao menos eu tentei
Não sei se vou voltar
Eu vou lhe confessar

Eu não sei dizer adeus
Eu não sei mais lhe amar
Eu voltei mas eu não vou ficar
Eu vim me convencer
eu sei nada vai mudar

Preciso descansar
Eu tentei lhe ver
Ao menos eu tentei
Não sei se vou ligar
Eu vou lhe confessar

Aprendi a só pensar em mim
Seja forte e tente alcançar
Aprendi a só lhe amar assim
Desde sempre não vou mais

Eu não sei dizer adeus
Eu não sei mas lhe amar
Eu voltei mas eu não vou ficar
Eu vim me convencer
eu sei nada vai mudar

26.11.08

Belém antiga

Década de 50. Mercado de São Braz. Circulavam os ônibus Zeppelin. (arquivo Life).