16.10.08

Só as manchetes

Leia só as manchetes. 
Por que, vê bem..., essa aqui, por exemplo: “Desorganizado, 
Brasil empata sem gols pela terceira vez em casa. Seleção pára diante 
da Colômbia e sai vaiada”. 
Pronto. A história toda está aí. 
Vai ler mais o quê? 
Tu não vais ter que estar no trabalho, amanhã, de qualquer jeito? 
“Seqüestrador diz que não vai avisar hora de liberar refém”. 
É lógico que quando ele libertar a manchete muda. 
É. 
As manchetes falam mais que duas páginas de 
pronomes misturados a adjetivos, 
verbos, predicados, sentenças.
Tudo já foi. 
O texto é no passado.
 E lá fica registrado. 
Impresso. 
Não perde teu tempo com horóscopo. 
Descobre só teu signo. 
“Ai, não me diga... 
você é de Libra...”. 
Pronto, não tem ascendente que 
dê jeito no que vai rolar 
dali por diante. 
A não ser, óbvio, uma coincidência. Melhor: uma possibilidade "de"...
“Prêmio da Mega-Sena sai para aposta de SP; veja as dezenas”. 
Jogaste? Não, né? 
Moras em São Paulo? Não, né?
“Obama foi melhor que McCain no último debate, diz pesquisa.” 
Ora, a merda já não está feita?
“Quedas Históricas. Bolsas de SP e EUA desabam”. 
Num tô dizendo?
São as coisas indo. 
Pra onde? Ah, são muitas as linhas magnéticas. 
A terra gira inconstante, numa constante e estúpida relação 
das horas num aparelhinho de pulso. 
E a coisa não funciona assim do lado do teu dentro. 
Do meu; do nosso. 
A conta? Quem paga? Todos, aos poucos.
É tocar Manu Chao e lá está o encontro impresso, no passado.
Mas, lê só a manchete.
E a conta no bolso da calça?
O banco vai fechar - sem querer ser redundante-. 
Na arrumação original do jornal, em contra-ponto a minha pressa,
uma voz, de trás do balcão da banca, soa como alarme 
de loja de departamentos:
- Não vai levar o jornal?
- Não, obrigado... 
tava lendo só as manchetes.


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