20.10.08

Movimento 1

(Foto de Calvin Jares, via celular da avó, direto para o meu e-mail)

Descobri o movimento. Um que só eu faço.
Descobri que só eu faço. E faço.
Num pé entro. O dragão de maché
protege a poltrona que o passado assenta.
"O ganso (da geladeira) no remanso...
sutilmente afoga o ganso". Breve as portas 
fecham. Sobram sussurros, fotos, uns dançam.
A dona bate na mesa. Silêncio. Eu mergulhado
na discussão da obra atual do Simões. 
Com  o Simões. Sinto o assunto ser cortado ao
meio pelo silêncio que se transformava num pequeno
discurso e uma grande declaração de amor.
Não um amor desses qualquer que pensa logo
em sexo. Um amor por uma importância na sua
vida. Esqueci a dança da "cabocla" Mariana, as fotos 
da Flavya, o papo com a Flavya, com o Lauro.
A nuvem, aquela única do céu da praia d'O Estrangeiro,
do Camus, me arrastou até meu edredon vermelho, macio,
de algodão. Como a nuvem de Camus.
Dormi com o dia entrando pela folhas da mangueira
que avisto deitado. Pela janela.
Descobri o movimento. Um que só eu faço.
Descobri que só eu faço. E faço.



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