19.9.08

Prudência e Razão


- Cara, tô te falando, prudência é a reta razão aplicada ao agir, saca? 
Daí que seu ato principal será o ato que for mais importante 
para o agir fundado na razão, tá ligado?

- oi...

- Nã, nã, não, prestenção, olha pra cá (aponta três dedos na cara do outro): 
a prudência comporta três atos: o primeiro é aconselhar, 
que diz respeito à descoberta, e aconselhar é inquirir; 
o segundo ato é julgar, avaliar o que se descobriu, morou? e este é um ato da 
razão especulativa. 

- hum?

- Péra...escuta... tem o lance da razão prática, que se volta para o agir, vai 
mais além no terceiro ato, que é comandar: aplicar ao agir o que foi 
aconselhado e julgado, hum... (toma um gole imenso, não, toma o copo inteiro de
Schin)...
Arrroooouttttt...
Porra, desculpaê, mas onde eu tava mesmo?

- o que ?!?!?!

- Sim, cara, e como este é o ato mais próximo ao fim da razão prática é também o
principal ato dela e, portanto, da prudência. 
E te digo mais, o maior exemplo disso é que a perfeição de uma arte consiste em 
julgar e nunquinha comandar: considera-se melhor artífice aquele que, de propósito, 
erra em sua arte do que aquele que erra sem querer, pois nesse caso há um erro 
de juízo. Erro de juízo...
Mas, vê bem, na prudência ocorre o contrário:  é mais imprudente 
quem erra sabendo do que quem erra sem querer, como diz Eth., VI, 5, sacou?

- Nossa, você soltou um pum?????

- Ah, vá se fuder...

- Porca...


(Baseado no livro A Prudência, de Tomás de Aquino, e muito bem resenhada neste endereço: 

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