23.9.08

Brincando de Autoramas


Perdi a inocência. Foi no meio de tanta comemoração a algo que não estava explícito.
Pareciam viver um momento de jardim de infância. Estrepolia, escorregão, empurrão.
Festa. Talvez celebrássemos as amizades refeitas, os amores antigos, as diferenças no armário. Trancadas. A banda não podia ser outra: Autoramas. Rock’n’roll. O sangue ferveu. As Ariranhas atacaram. Desencadearam uma onda nêutrons e prótons só comparada com a “molécula de Deus”. E nada se compararia aquela histeria coletiva. Um bolo de gente, que como diz o Vlad: “é só alegria, rapá...”. Achei um celular, um tubo de colírio – de muita utilidade naquele momento -, que foi dividido irmamente entre o pessoal da camisa preta. Vibrei no Bom veneno, do Nervoso (O bom veneno é amargo/ E os melhores vêm/ em pequenos frascos/ O bom veneno é rasgante /Seu ventre queima/seus dentes rangem/ Um bom veneno deve ser assim/Eu te peço/ sirva uma dose desse para mim/Pois o começo é sempre ligado ao fim/De algo bom ou de algo ruim/E o meu fim será o seu suplício/ Pra eu poder voltar ao início/O bom veneno traz a morte certa/Sem deixar rastro/ sem deixar provas/O bom veneno é um drink/Se faz um brinde/se comemora/ O bom veneno deve ser assim/Eu te peço/ sirva uma dose desse para mim). Por todos os dias de tédio, provocados por essa falência social que se anuncia. Por todos os dias em que tive que me refugiar dos seres das coxias, fantasmas de fosso. Por tudo isso ganhei a noite que já foi para a lista das 10 melhores da minha vida.  Parando agora pra pensar, depois de chegar em casa tal e qual um pano de chão usado e com uma baqueta na outra mão, onde estava escrito: Adeus a inocência. Amo as Ariranhas e seus seguidores.

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