30.9.08

"Não escolhi ser uma pessoa comum.
É meu direito ser diferente, ser singular, 
incomum, desenvolver os talentos que 
Deus me deu. (...)
Quero correr o risco calculado,
sonhar e construir, falhar e suceder.
Recuso trocar incentivo por doação.
Prefiro as intemperanças à vida garantida.
Não troco minha dignidade por ajuda de outros.
Não me acovardo e nem me curvo ante ameaças.
Minha herança é ficar ereto, altivo e sem medo, 
pensar e agir por conta própria e, aproveitando 
os benefícios de minha criatividade,
encarar arrojadamente o mundo e dizer:
Isto é o que eu sou".
(Brecht)

Tem uma coletânea dele em e-book, aqui:



29.9.08

Velho Bertoldo

"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar."

"Ama-me quando eu menos o merecer,
porque será nessa altura que mais necessitarei"
(Dr. Jeckyll)

28.9.08

Alvinho

A foto tem 51. Alvinho fazia dois. Hoje, 53. 53 vidas de gato. Do mesmo jeito que a foto está.

27.9.08

Wood-pecker, listen...

"Quem te ajeita? Quem te diz o que usar,
por mais que a dúvida era pela certeza?
Quem te ajeita, te escolhe os sapatos, 
te arruma o cabelo, tapa os buracos 
do teu caminho, te faz rir, te faz cócegas.
Quem te tatuou minha impressão digital?"
(Volffi K.P.criando um diálogo para Ranxerox e Lubna)


26.9.08

Recuerdos





(Clock orange by mylsenf)

Vejam as moscas


Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza

(Quattro Mosche di Velluto Grigio, 1971)
Direção: Dario Argento
Vi esse filme no Olímpia. Década de 70. Acabei de ver pea segunda vez. Quatro Moscas...
fechava a famosa trilogia de Argento, este "giallo" tem um título que faz parte de uma
velha lenda urbana de que as retinas de um morto registram a última coisa vista.
Ao olhar nos olhos da vítima de um assassino misterioso, o "roqueiro" e detetive
Roberto Tobias (Michael Brandon) vê, justamente, quatro moscas sobre veludo cinza.
Descobrir de onde veio aquela imagem é a história do filme. Não tem no Brasil. Nem DVD,
nem VHS. Façam como eu:
vão "às compras" na internet.

24.9.08

Péra aê, péra aê...

Uou!!!! - 1

Uou!!!! - 2

Já que a gente nunca olha pro nosso...

AI, MEU K-7

Tem k-7 novo, na parada.
Clica lá embaixo, à direita, viu?
Tem uma fita. Clica nela e
acompanha 23 bagunças musicais,
mas um termômetro do meu astral.

Vai lá:

O que tá lá é isso:
1.Malvina Reynolds - Little Boxes     
2.Cowboy Junkies - Blue Moon Revisited (A Song for Elvis)
3.Cowboy Junkies - Sweet Jane      
4.Emilie Autumn - AllMyLovin     
5.Rasputina - Wish You Were Here (Pink Floyd cover)     
6.Cake - Never, Never Gonna Give You Up     
7.The Style Council - You're The Best Thing     
8.Belle & Sebastian - I'm A Cuckoo     
9.Trash Pour 4 - Take On Me     
10.Miranda! - Perfecta     
11.Presuntos Implicados - Nadie Como Tú     
12.Cafe Tacuba - Ingrata     
13.Tonino Carotone - Bella Ciao     
14.Manu Chao - Me Llaman Calle     
15.Manu Chao - Bongo Bong/Je Ne T'Aime Plus     
16.Mano Negra - Santa Maradona     
17.Mano Negra - Viva Zapata     
18.Los Fabulosos Cadillacs - Porque yo te amo     
19.Nervoso - Moça Mimada     
20.Nervoso - O Bom Veneno     
21.Sapatos Bicolores - A Cobrar     
22.Autoramas - A 300 Km/H     
23.Wander Wildner - Correndo Por Correr

23.9.08

Desperate pin-ups

Dedicatória


Um livro sem dedicatória
É como qualquer outro
na prateleira, perdido,
apático como Mersault, 
de Camus.
Um livro com dedicatória
é único. É um Franz, um
Fíodor, um Albert.
Ou os três, de uma vez.


Brincando de Autoramas


Perdi a inocência. Foi no meio de tanta comemoração a algo que não estava explícito.
Pareciam viver um momento de jardim de infância. Estrepolia, escorregão, empurrão.
Festa. Talvez celebrássemos as amizades refeitas, os amores antigos, as diferenças no armário. Trancadas. A banda não podia ser outra: Autoramas. Rock’n’roll. O sangue ferveu. As Ariranhas atacaram. Desencadearam uma onda nêutrons e prótons só comparada com a “molécula de Deus”. E nada se compararia aquela histeria coletiva. Um bolo de gente, que como diz o Vlad: “é só alegria, rapá...”. Achei um celular, um tubo de colírio – de muita utilidade naquele momento -, que foi dividido irmamente entre o pessoal da camisa preta. Vibrei no Bom veneno, do Nervoso (O bom veneno é amargo/ E os melhores vêm/ em pequenos frascos/ O bom veneno é rasgante /Seu ventre queima/seus dentes rangem/ Um bom veneno deve ser assim/Eu te peço/ sirva uma dose desse para mim/Pois o começo é sempre ligado ao fim/De algo bom ou de algo ruim/E o meu fim será o seu suplício/ Pra eu poder voltar ao início/O bom veneno traz a morte certa/Sem deixar rastro/ sem deixar provas/O bom veneno é um drink/Se faz um brinde/se comemora/ O bom veneno deve ser assim/Eu te peço/ sirva uma dose desse para mim). Por todos os dias de tédio, provocados por essa falência social que se anuncia. Por todos os dias em que tive que me refugiar dos seres das coxias, fantasmas de fosso. Por tudo isso ganhei a noite que já foi para a lista das 10 melhores da minha vida.  Parando agora pra pensar, depois de chegar em casa tal e qual um pano de chão usado e com uma baqueta na outra mão, onde estava escrito: Adeus a inocência. Amo as Ariranhas e seus seguidores.

21.9.08

New look

Mudei. Mudei logo a cara do blog. Parece que deu sorte. Depois eu conto. Deixa terminar o Festival da Dançun. Até agora fizeram um festival pra manter a cidade entediada até o do ano que vem. Mas, depois eu conto... Putz, peguei até a baqueta do Bacalhau (baterista do Autoramas)...

Eu não morri, nnnnnão morri, eu juro pra vocês que eu não morri Eu não morri, nnnnnão morri, se eu tivesse morrido não estaria aqui Foi a melhor coisa que já me aconteceu foi a maior emoção que eu já conheci E é tão bom poder estar aqui pra contar por essa eu não esperava eu não morri  Eu não morri, nnnnnão morri, eu juro pra vocês que eu não morri Eu não morri, nnnnnão morri, se eu tivesse morrido não estaria aqui Quando alguém tem um sonho e o torna real  uma idéia na cabeça e a sorte lhe sorri Eu não posso acreditar que eu consegui  eu não imaginava eu não morri  E é um prazer poder estar aqui  isso é tudo o que eu sempre quis  Eu não morri, eu não morri  Foi a melhor coisa que já me aconteceu foi a maior emoção que eu já conheci E é tão bom poder estar aqui pra contar por essa eu não esperava eu não morri Eu não morri, eu não morri

19.9.08

Prudência e Razão


- Cara, tô te falando, prudência é a reta razão aplicada ao agir, saca? 
Daí que seu ato principal será o ato que for mais importante 
para o agir fundado na razão, tá ligado?

- oi...

- Nã, nã, não, prestenção, olha pra cá (aponta três dedos na cara do outro): 
a prudência comporta três atos: o primeiro é aconselhar, 
que diz respeito à descoberta, e aconselhar é inquirir; 
o segundo ato é julgar, avaliar o que se descobriu, morou? e este é um ato da 
razão especulativa. 

- hum?

- Péra...escuta... tem o lance da razão prática, que se volta para o agir, vai 
mais além no terceiro ato, que é comandar: aplicar ao agir o que foi 
aconselhado e julgado, hum... (toma um gole imenso, não, toma o copo inteiro de
Schin)...
Arrroooouttttt...
Porra, desculpaê, mas onde eu tava mesmo?

- o que ?!?!?!

- Sim, cara, e como este é o ato mais próximo ao fim da razão prática é também o
principal ato dela e, portanto, da prudência. 
E te digo mais, o maior exemplo disso é que a perfeição de uma arte consiste em 
julgar e nunquinha comandar: considera-se melhor artífice aquele que, de propósito, 
erra em sua arte do que aquele que erra sem querer, pois nesse caso há um erro 
de juízo. Erro de juízo...
Mas, vê bem, na prudência ocorre o contrário:  é mais imprudente 
quem erra sabendo do que quem erra sem querer, como diz Eth., VI, 5, sacou?

- Nossa, você soltou um pum?????

- Ah, vá se fuder...

- Porca...


(Baseado no livro A Prudência, de Tomás de Aquino, e muito bem resenhada neste endereço: 

18.9.08

Don Pablito sabia


“Para meu coração basta teu peito; 
para tua liberdade bastam minhas asas." 
(Pablo Neruda)

Você é um pedaço de Cake

"Não fazemos parte de nenhum movimento. Somos outsiders". Assim, John McCrea, vocalista do Cake, definia o som da banda. McCrea e o trumpetista Vince DiFiore seguram hoje a banda, que trocou de músicos mais do que Amy trocou de clínica. Em 1995 comprei seu primeiro disco, "Motorcade of Generosity". Importado. Escutei. Passei dias, semanas, meses para desenvolver uma resenha sobre os caras de Sacramento; lembro bem. Quando resolvi mandar ver nas letras, uma caixa baixa em minha mesa da redação. O primeiro CD do pacote era quem? Ganhou o meu respeito quem falou Cake. Só que nacional. Só que o segundo, Fashion Nugett. Saca? Aquele de "I Will Survive", "The Distance", "Daria" (a menininha mal-humorada da MTV) e "Frank Sinatra". Escutei ali mesmo, no PC. Saiu a resenha. O primeiro ficou esquecido. O certo é que achei de escutar a discografia deles, completa - inclusive o da foto, um caça-níqueis bem divertido. Impagável a versão de "Never, never gonna give you up" -. Ouvir Cake, do primeiro ao último foi como dar um "rewind" na mente. Até 1995. No bendito dia em que comprei aquele CD pela capa - e quem já não fez isso? -, o Cake foi a trilha da minha vida.
Impressionante as coincidências, as desagruras, as pessoas que conviveram comigo, os humanos que conviveram comigo, as que odiavam Cake, as que me amaram em formas diversas. Pra cada uma delas uma música, uma trilha, a trilha da minha vida. Afinal, minha vida passou por elas. Não elas pela minha. E junto com essas pequenas peças sonoras um pedaço de cada um. Como um videoclip mental, onde os coitados só fizeram figuração. 
Impressionante como a mágica se prolonga.


 

17.9.08

The Future
Leonard Cohen

Give me back my broken night
my mirrored room, my secret life
it's lonely here,
there's no one left to torture
Give me absolute control
over every living soul
And lie beside me, baby,
that's an order!


Give me crack and anal sex
Take the only tree that's left
and stuff it up the hole
in your culture
Give me back the Berlin wall
give me Stalin and St Paul
I've seen the future, brother:
it is murder.


Things are going to slide, slide in all directions
Won't be nothing
Nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world
has crossed the threshold
and it has overturned
the order of the soul
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant
When they said REPENT REPENT
I wonder what they meant.

16.9.08

Há dias


Há dias em que adias.
Os dias.
Ora, a hora...
Quem se importa?

Há dias em que adias.
Tua morte, em Veneza.
Suada, a tua morte.
Há quem se importe.

Há dias em que adias.
O Norte, a sorte,
o som de Cole Porter.

Adias a tua morte, 
em Veneza. Ora, a hora...
Quem se importa?
O som é de Cole Porter;
a chave de teu mausoléu.

него такое

Uma do Fernando


O Amor

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
(1888-1935)

15.9.08

Uma do Bocage


Lá quando em mim perder a humanidade 

Lá, quando em mim perder a humanidade.
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi - gratia – o teólogo, o peralta,
algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:

Não quero funeral comunidade,
que engole sob-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
eu também vos dispenso a caridade:

Mas, quando ferrugenta enxada idosa
sepulcro me cavar em ermo outeiro,
lavre-me este epitáfio, mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."

Manuel Maria Barbosa du Bocage,
(1765-1805)

Parábola


Dois ou três passos para trás.
Nem sempre é recuar.
É pegar impulso.
O suor escorre pelo rosto.
Uma pequena trave que via-se
distante pequena, crescera a minha
frente, como uma grande barreira.
Enfio a vara no chão e me impulsiono.
O corpo sobe, ao contrário, descrevendo
uma parábola, não como esta.
Uma parábola que ultrapassa a altura
marcada, vigiada. O menor vacilo e
tudo põe-se a perder.
E tudo por dois passinhos* pra trás.

(*Em homenagem aos dois anos no silêncio do meu quarto)

14.9.08

Trilha da insônia

dig that groove baby
the toy dolls


Friday night is bath night this is what they say
We are gonna dig the groove, we've waited all day
We wear trendy trousers with belts a mile too long
We are gonna catch the bus into the town
We are boogie on down...

[Chorus:]
Dig that groove ba - a - by [repeat]
Dig dig dig dig digga that groove baby.

There they are again covered in Old Spice
They think they will get the girls cause
They smell nice,
They all call me riff raff
'Coz I wear a Crombie
I couldn't stand it being just like them
They all look like puffs not men

See that trendy there she used to be a punk
Now she's off to the disco to listen to junk
Her boyfriend was a skinhead
He used to shout Oi! Oi!
Play that funky music that's what they say now
Come with me and I'll show you how... 

13.9.08

O fim da internet









Saído do escuro

(www.robyncumming.com)

Ei, obrigado por vir me buscar.
Nada, sabia pela Lubna que você sairia hoje...
Não tinha nada pra fazer e... vim aqui...

Legal te ver...  Sempre achei que viria...

Você ta bem, magro...
Acho que magro até demais...
Tá pesando o que?

69...

AHAHHAHAHAHAHAHAHHAHA

Que foi? 

O número...

AHAHAHHAHAHAHAHAHHAHA
Entendi... você sempre...

Sempre o quê?

Ah, deixa pra lá...

Não, pelo menos fala desses dois anos que
passaste nas sombras...

Hum, não... tudo que posso dizer é que é a
entrada do inferno. 
Uma opção. Ficar ou seguir.
Fiquei. 
Uma sala, não, várias salas. Apertadas.
Sala para uma só pessoa. Justa. Só eu e eu.
Tudo espelhado. Reflexos, fragmentos meus. 
Dois anos numa Sala – goes to hell. 
Pequena como esse Seu carro.

Vai reclamar da carona?

Não, é só uma comparação...

Ta vendo? Ta chamando meu fusca de pequenino...

Mas, é pequenino, vou fazer o quê?

Pára nesse acostamento...

Mas, ta um temporal...

Pára, vai...

Pronto...

Quantos quilos você disse que tem?

69...

Hummmmmmm... Vem cá...

12.9.08

Trilha da insônia


Laurie Anderson. Na foto com quem?


O disco: Big Science
Ano: 82
Mininova.org tem a discografia completa pra dãoloudar.
Destaque: Faixa 6.
                   O Superman (for massenet)

Atento ao tempo

(foto de David Lachapelle)

Estar atento ao tempo.
Estar atento ao que está
no tempo.
Quem no tempo está.

Entender o tempo é
estar atento.
Voar, nem tanto, nem
tampoucou.
Voar no tempo.
Voar como um saco de 
supermercado ao ar.

O mesmo ar que sopra
a poeira para trás.
Que encobre o tempo
Que passou.

Um tempo que, de tudo,
é capaz.