20.8.08

A ILUSÃO DE SEPARATIVIDADE

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Vós, homens, como indivíduos, desenvolveis vossos
sentidos pela luta social, pela auto-preservação
e dais inicio, assim, à consciência de separação.
Desde a infância que vos foi incutida a idéia de
que sois uma entidade separada; e desta ilusão
provem a divisão entre “vosso” e “meu”, no que
pensais e no que sentis, no que possuis e em
todas as cosias.

Daí surge também a idéia de que vos deveis tornar
algo de grande no futuro e a de que fostes já algo
no passado.
Um contraste contínuo. E desta consciência separada
surgem cobiça, a inveja, o ódio, o sentimento de
posse, a preocupação da vaidade, as alegrias passageiras,
as tristezas transitórias e os transitórios prazeres.
Esta é uma civilização grosseira baseada na competição,
na qual cada um trata de si, sem benevolência, sem equanimidade.
É um mundo de conflito, de corrupção, de contenda, que
a seu tempo conduzirá à guerra.


Em virtude de tal entendimento de separatividade, o “Eu”
torna-se todo poderoso; dessa consciência de separação nasce
o medo. E onde quer que exista o medo, manifesta-se imediatamente
o desejo de buscar o conforto, em lugar do entendimento que
dissipa todo o temor. Pois o conforto adormece o vosso temor
inato de perder vossa identidade separada.

O conforto produz tão somente um ajuste temporário, mas
não uma harmonia e equilíbrio permanentes; produz um
alívio imediato em vez de um entendimento compreensivo,
contínuo; produz o adiamento do esforço, uma evasão contínua
em lugar da luta para compreender no presente. Por causa desse
temor, buscais o consolo no culto, na prece, no erguimento de imagens,
por intermédio de ritos e cerimônias. Essa ilusão de separação vos leva
à preocupação da morte, e do que vai acontecer no futuro, isto é,
sobre se tereis de vos reencarnar e sobre o que haveis de
ter sido no passado. Por outras palavras, são o passado e o
futuro que empolgam o homem que se acha atemorizado; a compreensão do
presente, nunca.
Enquanto o presente não for compreendido, o futuro jamais vos
proporcionará seu verdadeiro significado, pois que o futuro,
na realidade, não existe.
(Do filósofo Krishnamurti, trecho de uma Palestra realizada em Londres – 1931 –
Do livro: Coletânea de Palestras)

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