22.7.08

Ser ou ter, eis a questão.

No meu meio-século (e uns trocados) de existência sempre ouvi: “A juventude de hoje é alienada”. Em qualquer geração vai haver uma parcela de alienação. Se reparar de perto vai notar ainda que é a grande parcela.
A diferença é que a comunicação de mercado passou do tempo de “avisar que tal produto” estava nas prateleiras. Hoje a comunicação – e falo da forma abrangente: jornalismo/publicidade, onde incluo o marketing. – “tenta te convencer que tal produto te deixa mais legal com os homens, com as mulheres, com o vizinho, com o escambau”. A questão do “ter” foi mais valorizada do que o “ser”. Bacana é quem tem um i-Phone, mesmo não sabendo, às vezes, nem discar um simples número; quem bebe Campari só vai pra festa cheia de mulheres lindas e maravilhosas. É bacana ter uma grife cara estampada em qualquer lugar do corpo. É o código. Mais do que nunca se segue um modelo que não admite alternativa, escolhas. O lance é ter. Nem que seja uma bunda grande ou um peito de plástico.
No meu meio-século, e uns trocados, de existência vi muita besteira, muita porcaria. Na música, na moda, no comportamento - ou como diz o caboclo: “nos modos”-.

A TV abriu caminho. Por ela se viam as coisas. Antes dela, com o Rádio, se imaginavam as coisas. É lógico que a narrativa foi mudando. Chega a internet e o mundo gira muito, mas muito mais rápido. São bilhões de terabites de informação circulando pelo espaço a cada segundo. Sejam elas (as iformações) quais forem. As mudanças são bruscas, imediatas. São tão grandes as ofertas de “se ter” algo, que se perde a capacidade de pensar – que na maioria já era pouca – numa regra básica de convivência social: a ética, e, mais uma vez, a maioria não sabe do mínimo que vem embutido nessa palavrinha. Quando se perde a ética vale até matar a mãe, vale enganar irmão, vale o que vier. Desde que o lucro seja só meu, ou teu e nunca nosso.

Não, isso tudo não é exclusividade nossa, brasileiros, latino-americanos, sem dinheiro no bolso.
É mundial. Sim, exceções há. Raras. O certo é que o que sempre fomos é hoje massacrado pela velocidade e quantidade de informação.
Sorte de quem filtra. Azar de todo mundo.
Theodor Adorno, filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão, morto em 1969 - foi um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt, que contribuiu para o renascimento intelectual da Alemanha após a II Guerra Mundial – dizia que o pensamento crítico está morto, e que a sociedade e a consciência estão “totalmente reificadas.”.

Então, percebam, o domínio dos tolos já começou.

Leiam o Universo em Desencanto.

P.S:
“A depreciação do mundo dos homens aumenta em razão direta da valorização do mundo das coisas.” (Karl Marx, em fevereiro de 1844).

3 comentários:

A vida como ela está disse...

Falou e disse!!!!
Puta texto!
Mais abaixo senti o cheiro de Prost, quero ler Em Busca do Tempo Perdido...mas preciso de tempo p ler todos antes dos 40 (tenho 10 anos ainda p isto...rs)...enqto isso, no Alasca, o sol desafia um inverno mixuruca ;)
Sou uma feliz mesmo...rs
bejo e até a volta!
PS. Separa meus quadrinhos do Fritz!!! ;)

A vida como ela está disse...

Nota de esclarecimento: É PROUST!!! E não 'prost'...aliás, tb era um puto vai...rs

antonio bernardo jares alves disse...

Não tinha notado a troca de um "puto"
por um ex-piloto de Fórmula 1. O importante é... esqueci. Quando lembrar, te digo.