11.7.08

Nada será como antes


Acabei me metendo numa comunidade do orkut dedicada a Thomas Pynchon. Não tenho saco pra freqüentar comunidades. Sou um anti-social orkutiano. Mas, achei de dar uma olhada nessa tal de comunidade. O assunto, óbvio, não era outro senão O Arco-íris da Gravidade, um livro de Thomas Ruggles Pynchon. Parece que vejo a cena: um cara atravessa a redação do Liberal (na época editava a Troppo), esbaforido joga na mesa um livro, possivelmente a grossura de duas Bíblias. Setecentas e poucas páginas pra um romance com mais de 400 personagens.
- Cara, tu tens que ler isso. Berrava o Vlad.
Confesso que deu uma preguiça enorme ficar de cara com um livro imenso e uma capa chinfrim.
Tenho que confessar, também, que minha vida mudou depois de ler as coisas dele. Principalmente O Arco-íris; que mais do que correndo passei a reler.
E muda. Publicaram lá, na tal de comunidade o seguinte texto sobre suas obras.
“Sua ficção abrange diversos campos, como física, matemática, química, filosofia, parapsicologia, história, mitologia, ocultismo, música pop, quadrinhos, cinema, drogas e psicologia, unindo-os de maneira picaresca, humorística, absurda, poética e sombria. A preocupação central da obra de Pynchon é explorar a acumulação e a inter-relação entre estes diferentes conhecimentos, que resultariam em uma realidade entrópica tangível apenas pela paranóia. Ele também é conhecido pela reclusão em que vive, o que gerou diversos rumores sobre sua real identidade. Nunca concedeu entrevistas e as únicas fotos conhecidas dele datam de sua juventude.”
Estou totalmente de acordo com quem escreve o blog ângulo (http://marcopolli.wordpress.com/2008/01/03/cronica-do-leitor-de-o-arco-iris-da-gravidade/). Todo leitor do Arco-íris deveria ter uma fila especial no banco, até uma casa de tolerância, onde as putas todas teriam lido O Arco-íris. Encontros sexo-literários.
De lá pinço um trecho do livro.
“A noite é cheia de explosões e caminhões, e vento que lhes traz uns laivos de maresia do outro lado do planalto. O dia começa com um chá e um cigarro em torno de uma mesinha de perna bamba, que Roger consertou precariamente com barbante. Nunca se fala muito, são mais toques e olhares, sorrisos a dois, imprecações de despedida. É uma coisa marginal, famélica, fria ? na maioria das vezes a paranóia os impede de acender a lareira ? mas dela não querem abrir mão, tanto que para isso assumem mais do que lhes pede a propaganda oficial. Estão apaixonados. Foda-se a guerra.”
Dá pra se ver, e só agora, na segunda leitura percebo, William Burroughs e James Joyce.
Vai, lê o teu.
Nada vai ser como antes.
Nada.

* O Arco-Íris da Gravidade (1973), National Book Award de ficção, escolha unânime do Prêmio Pulitzer recusada pela banca de organizadores, William Dean Howells Medal da American Academy of Arts and Letters em 1975 (recusado) - no Brasil, editado pela Cia das Letras.

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