27.3.08

Hum?!


Era meio sábado de um disse chuvoso quando a noite condenou-me a eterna tempestade. Numa cela em si.

26.3.08

Então, tá!

- Oi, você é daqui?
- Sou, sim!
- Nem parece... Você é casado?
- Sou, sim!
- Ah, desculpe... Não gosto de homens casados! Mas, anota meu número aí....

25.3.08

After life


Existe uma única certeza sobre o que tem além da vida: a ausência.
Na vida também.

60

Para um amigo que fazia 60 anos e dizia que não sabia o que estava comemorando.

As comemorações sempre são em torno de vitórias, né não?
Então, qual a vantagem de se ter 15, 25 ou 30 anos até?
Desde que não se nasça miserável a natureza, a maioria das vezes, está do lado dessa faixa etária.
Com essa idade as mulheres são lindas, se dão certas liberdades - a de usar um biquíni mais ousado, por exemplo. - sem que pra isso tenham muito esforço a fazer. Claro, a natureza está ao lado delas. Sim, e deles também.
Agora, quando chegam os 35 anos e o corpo começa a envelhecer e a natureza passa a ser um inimigo sorrateiro, espião infalível, com o qual você tem que lutar contra (ou a favor) aí, sim começam as vitórias. Ou as derrotas.
Chegar aos 60 e olhar pros lados e ver quantos marcadores você driblou, olhar pra frente e ver que a grande área tá limpa, (ou parece estar) é de se comemorar. Passar por bala perdida, ladrões de rua, trânsito caótico, ministros da economia, amigos interesseiros, acróbatas de semáforo, política nacional é de se comemorar.
Principalmente quando você tem ao seu lado uma lista (como eu) de amigos que já se foram por não conseguirem passar por seus marcadores - o coração parece ser o maior marcador de todos. Ou por muitos que ainda vivem, mas no banco de reservas, cheios de limitações médicas. Ou, tão pior quanto: cheios de limitações mentais.
Não tem um ano em que eu não faça uma geral no "equipamento". Desde os 37 frequento geriatra. Quanta coisa evitei graças a ele - diferente do que pensam, que geriatra é pra velho, eles sempre dizem que depois de velho não tem mais jeito. Portanto, evitar é o que vale mais.).
Hoje mesmo cheguei com o resultado de todos meus exames. Tudo zerado.
É lógico que, nesse caso, no meu, trem muito do sangue de família. Dos dois lados uma longevidade impressionante.
E, ao que tudo indica, herdei esses genes.
Então o que a gente faz?
Comemora. Duplamente.

Vento de chuva


Foi com um vento de chuva que seu chapéu escapou.
Rolou feito um pneu solto, descendo a ladeira junto com as folhas da mangueira secas.
Os pingos caem fortes e molham teu rosto quando me abraças do frio.
Do vento; da chuva.
Um beijo com cheiro de asfalto.

Ah, essa jovem guarda!

Meu amigo Jaime diz que ele já nasceu cafona.
Eu prefiro achar que o tecladista Laffayete foi o cara que inventou a música, e o músico, de churrascaria.
Fora isso, só não teve sua integridade física abalada porque quis o destino os dois nunca se cruazassem. Sim, o outro Lafayette.
Ganhou esse nome porque seu pai era fã do primeiro. Isso explicava o órgão no canto da sala.
Os traumas se somaram no decorrer de sua vida.
Os vizinhos concordavam que era meio extranho chamar um bebê de Lafayete. Quando aprendeu a ler e escrever tinha dificuldades em saber se seu nome era Lafayete ou Rafayete - aquela fase que as crianças trocam o R pelo L, tipo o Cebolinha.
E, mais tarde, jogando peteca, alguém grita: É tua vez, Laffayete. Quem por perto passasse custaria a crer que um garoto cabeludo, já nessa época a cara do Frank Zappa, tivesse esse nome.
Portanto, aí, já são dois castigos. Meu Deus, um sujeito com a cara do Zappa e o nome de Laffayete.
O apelido de Fafá foi autocriação quanto à cara de Zappa, depois de um tempo, ele até tirou proveito disso.
Laffayete escolheu Fafá de repente, do nada, no dia em que conheceu a sua primeira paixão.
Fechei os olhos e o que eu mais temia veio: ela se vira e diz, Prazer, Claudinha... Enquanto ele: Oi, er....Fafá ao seu dispor.
Arregalei os olhos e segurei o riso. Era difícil ser amigo dele e rir disso, pelo menos na sua frente.
O galanteio da Cláudia, nossa vizinha na Farme de Amoedo, tinha deixado Laffayete, ou Fafá, sei lá, nas nuvens.
Balbuciava coisas sem nexo, enquanto caminhávamos de volta pra casa, a dele pra ser mais exato.
Bem na esquina da Nascimento Silva, aquela da Elizete, damos de cara com a mãe do Laffayete, ou do Fafá, sei lá..., que ao ver naquela face um tom de felicidade fez cara de quem precisava saber o que acontecia.
Laffayete vira pra Dona Neusa e diz: Mãe, a partir de hoje, me chama de Fafá, tá???
Quase às lágrimas Dona Neusa, que chorava até de comercial da US Top, diz:
- Ai, filho, que fofo... Fafá...meu fofo.
E assim foi chamado por ela até o dia do casamento com a Claudinha.
Igreja lotada.
Dona Neusa que já tinha borrado a maquiagem umas três vezes, seu marido, o Éder, agente multiplicador de Laffayetes e uma turba que estava lá pra prestigiar o nosso amigo mais feio, com um nome ridículo e um apelido pior ainda.
Silêncio total até o Padre virar e perguntar:
- Senhora Cláudia? Aceita o sr. Laffayete Erasmo como esposo?
Antes que ela dissesse um apaixonado sim, a igreja foi preenchida por aplausos ensurdecedores. O padre sem entender nada tantava pedir silêncio. As velhas aplaudiam sem saber porque. Dois cães vadios latiam. Um caos.
Nesse meio, Laffayete, ou Fafá, ou Fafá, meu Fofo, ou Laffayete Erasmo, em lágrimas, do alto do altar, vira e apontando pro seu peito gesticula com os lábios: "Meu nome é E RAS MO?"
Vira-se, olha pra Cláudia, pega-a em seus braços e se enfia em um chupão sem fim.
Dessa vez os aplausos, que ainda não haviam parado foram acompanhados por gritos de Tremendão...Tremendão...